sábado, 4 de setembro de 2021

 

No espaço do tempo

No instante, no alto
vão mudas, seguem                 
        como plantas 
mudas        que          mudam
                                  lá estão elas
as nuvens mudas
  colhendo se recolhendo
no instante dos nossos olhos
                    mu(n)dos imprecisos
flanam como o beija-flor /aquele/

Já vem um dia, planos     e      livre  s
           aqui vibramos, mas
     amanhã tem mais ______?
Sim, figuras surgem, trajetos no
             céu nos co-movem:
    é a mente, é a arte de pensar que 
    o céu anda, muda como planta
            (re)colhida, bem-vinda!

A gente sente: é a vida
    pass(e)ando com o vento, o sol,
                o nosso olhar

                    Só
para serem vistas, nuvens,
    nos diferentes prismas
        d a           d a n ç a
a                            a
          aérea

Lá, elas provocam diferentes pontos de
     v                       os  m
        i                  t            u
          s             i                   n 
            t        u                         d
              a, m                              os
BRINCAM na gente aqui e
                                            m
                                                baixo.





quarta-feira, 25 de agosto de 2021


''Quatro maçãs'' (1881), Paul Cézanne. Diálogo ecfrástico


Hoje


Fibras oculares do tempo, poente em pomo

umas maçãs que caem de árvores remotas

somos nosso tempo partido

alguns são seres afirmando

que são massoterapeutas

<querendo sabe lá o que de fato fazer

com os outros>


nós que recebemos o mundo entre paredes

recortamos o tema

silencioso em cada fresta 

e nas células do corpo

reunindo o espaço da memória, vida anímica:

cabezzzzas

que se afirmam como tais

identidades várias, vitrines

enquanto alguns passam por situações 

deploráveis, outros precisam de resultados

a saúde é muito importante

e o organismo das pessoas__

Como não sentir um pouco do que estão

 passando..tudo tão cheio de nomes,

 passamos


umas maçãs caem de árvores remotas

quem sabe o que terei de fruto aqui?

o fruto é nossa orquestração primeira

nossa intenção inteira

passos no mapa particular

Viva 

com dor e alegria


quarta-feira, 21 de julho de 2021


''Los orantes'' (2012), de Iris Loza.



Sim


meu corpo é uma casa por onde passa o vento
também é terreno baldio onde cresce a grama
meu corpo é um Estado desguarnecido
campo mandálico cristalizado
esta parte que o tempo apaga e uma
outra que não
é meu acompanhamento 
que semantiza o dia
atrai abelhas
perde o mar
e com ele sonha
em silêncio

sonhei
que era a realidade mesma
respiração entre o ser e as coisas
o corpo no corpo
recriando milhares
tecido no tempo
rastros de sol
na fogueira do dia findo
sem falsidade

ainda, é sangue que escorre por cada po-
ro seu teu cada nosso um meu
terreno
com espinhos
ranhuras
e uma flor amarela na calçada
é o corpo
sonhando-se ali 
dissolução
estreitamente 
carstificada



sexta-feira, 9 de julho de 2021


"Senecio'' (homem velho) -1922- Paul Klee. Diálogo ecfrástico.


Ultra-passagens


0. 
Vida, está aqui o recomeço,
espaço onde refaço o texto
anterior, desfeito em partes 

1.
Um anjo em brasa, à espreita, 
neste céu aberto da varanda

2.
Hoje, sexta, tão passada:
ontem ainda era segunda
toda a vista limpa, sem óculos 
tocando aquele céu aberto, soletrando-o 
à víbora do quebra-cabeça 
lecionando à pedra sobre estar no ar
mãos-pele-sopro-visão
  
3.
tudo foi breve e o Agora vibra

4.
Escrevo contigo e sozinha
: com o tom drummondiAno e
um desentranhado tema da nossa espécie :
gravado no corpo com olhares
Fractais

 5.
tergiversadas cores dessa sutura, unindo todas
as faces : uma paisagem híbrida, risos e choros
nas nuvens, neste umtempomuito, uma ferida doidamente
tão batida e tocada,
mas tão perplexa,
tão retrasada.

6.
Se confiaria no verbo
fazer?



terça-feira, 15 de junho de 2021




Forasteiros do eterno 
- dedicado a Vicente Franz Cecim -


Ar que perfaz 
                          oOs 
caminhos 
                  os ninhos de nós
pássaros-paisagens
desdobrando-se em horizontes
sustenta
               oce                 anos
de dias outros
                                 ele      Vando
os           s a i s
centelhas de desordens que nos
               alimentam, seus elos

Ar que percorre     
                                     toda a vida
                              em
êxtase ~                ~
          ~          espumando     ~
as noites e as manhãs
em nossos olhos recém-abertOs
                              de agora

Ar que avança
                           em
               tons vivos___voa
                                  em
    vozes rítmicas
de ontem, de antes 
sua            sanha   e     regres-
so do depois de ante-
ontem do jardim epi-curado,
nele havia e haverá uma aVe-Ar:

umanoh ser, cria da semente
acréscimo de Sim numa sala neg-
                                                    ativa.

terça-feira, 8 de junho de 2021

"Pássaro da liberdade" (1975), de Clarice Lispector - técnica mista sobre madeira. Diálogo ecfrástico


 Liberdade



Morrera           Nascera
                 e     
hoje inventaria outro espelho se já não houvesse
tocado aquele: origem e fim
vazio desta nossa liberdade
inteira claridade atrativa
uma aVe: escrit-asa do céu
 
Passo o esboço a limpo
simples passagem
lembrança não melódica
do outrora ouvido:
o canto do passado como Um sopro de vida
 
qual pássaro que ultrapassa qual-
quer paisagem e forma
cresço, heroica, qual
sumo de fruta que escorrre
e com o corpo recomposto de
ontem, descubro agora:
vibra (no) alto o mundo

vi-vi
bem vi(m) ver
o corte da realidade
o descortinado dia
em si, um lume imperecível
sereno e inefável
 
voo de águia-gaivota
deixo-te ser o alvo grito de
Rá             ná
        pi             



 



“Nélida Piñon Madeira feita cruz” (sem data), de Clarice Lispector - óleo sobre tela. Diálogo ecfrástico
 
 
 
Luto
 

Noite de Cruz e
aroma de flor:
não dormida, aguardando o
Espelho Límpido, qual sonho de outro sonho
Após a morte: Neste silêncio e abandono: tal aperto E sem garantias procuro o
horizon-
te no arado
eterno de
23:33 ainda
Luto luto luto

 
Quase não existe
não há fruta
há verme
mas vivo
na graça do nimbo
às cegas ] jurando
Anônima com fragilidade [ Cravar no solo meus dentes
de pantera negra; Triplamente; no cavalar;
 do tempo_Tocando
as palavras proibidas
com o prazer do sorriso calmo
ainda que eu no luto e com a
Verdade em pinho de Riga
descreva o semblante de  meu
desespero e esta fraqueza:
 o espaço en-tre, alegria, 00:11,
não vencida, a escrita pulsando
quente ao ver a sombra das flores
 
 
Será um Luto?
chegar em casa,
o solo fértil que recebe o sol de toda gente em luto
 qual invenção de Doentes-ofuscados na irradiação
surge o Inaugural abrigo
abaixo,  um olho mágico
atento, enterrado elo
 dos seres mínimos