quinta-feira, 9 de julho de 2020

Sinestesia orbital

Palmilha os verbos celestes
caça o letramento da noite

foram cem mil anos de
solidão-luz

Agora, são dois pássaros a Voar
e carregam o mundo do sono

galáxias ouvintes no Eterno
instante do esquecimento

Agora, jaz nas mãos
o diâmetro do tempo gasto

São dois pássaros a Voar
habitando o silente espaço.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Continuação>> Série: Correspondências Poéticas, cartas para um futuro


I

 (07/07/20; 23:15)

Dizem-me
Baile do Covid



Eu não sei bem
como é

vi à distância
                        n'Outro fim de dia


É um tempo de guerra
é um tempo sem sol

como cantava, Luzi no teatro, no Arpoador


II

E te digo:

como é digno de pena
, repugnante é perceber
 _constantemente_
pessoas que
precisam se sentir superiores
menos-
pre-
zan-
do os
           outros.

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I

(06/07/20; 23:40)

O líquido amniótico
das palavras nutre
o sentimento de
estar viva.


II

Escrevo-te para desdizer o fim
e
Investigar acerca de
Tal estranho fato que
me veio após lavar a roupa
na mão,
como as "Galáxias", de Haroldo de Campos,
"(...)onde o fim é o começo onde escrever sobre o escrever
é não escrever" : ESC, eScfrAsE, écfrase,
quero dizer-te que, sinto, não há fim
para um
Novo começo
...............................................................................................
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I

(05/07/20; 18:48)

Te escrevo como alguém que suga
o cActO
O desejO de saciar
a vida
em meio às
fronteiras
es
ta be
le c
i d
           a                                                                            s

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I

(01/07/2020; 10:58)

Escrevo-te neste tempo nublado
Parecendo que
O sol habita a linguagem
Como se 1+1
Desse em 7
E uma semana significasse
O indício
do presente redescoberto.

Série: Correspondências Poéticas, cartas para um futuro 
_Luciana Quintão de Moraes





(26/06/2020; 15:02-15:06)

Escrevo-te palavras meio
desarranjadas como alguém que
chega em outro apartamento como
se ele fosse casa
E está a tal ponto de almoçar
Porém, antes, irá
se desfazer do mau cheiro de
queimado
Novidade que se impôs

Palavras que se deseja
sem serem certas
Apenas vindas primeiramente
Mobilizadas pela ventania de uma
madrugada em quarentena

Elas formam elos
Definidores do real
E tudo o que planejei dizer-te
enquanto eu chegava aqui
Ao novo espaço
Se volatizou
Com
O poder dos ares invernais

_
Lavar as mãos


II

(15:23)

Ainda, te digo
Escrevo-te
como quem varre o chão
bebe água
ou sente o sabor das palavras
Como quem inaugura o Momento
de se perder
Ganhando






sexta-feira, 3 de julho de 2020



"Black Orthographic Projection of a Tetrahedron'' (1964), Kazuya Akimoto.
Diálogo ecfrástico.

Na ponta do compasso com transferidor ou
Mensageiro da noite

Triangular fatos    
   Tetraédrico solo                    Soma trina
de                                                             Hermes
       Regendo                                 estradas

Não me diga que
Hoje já 
morreu_

Eles-nós
Os esquecidos
pela nuvem
de março
Filhos dos filhos de Atlas

~isolated~

A partir daí [breu]
Objetos absolutos do
____________nada

~you are with (the) time~

Gritante resignação como
uma febre que
Trai a
Angústia

.•. Plêiades no céu .•.

~you are the time~

Pois uma já dizia
-sou forte-
Aprendo a cair
-para o luto-

Aprendendo a cair
Ir, com notícias de outras
Ilhas

~isolated~

Entrementes
as histórias se apagam
 e aumentam 
Com os números

A imaginação para o c
O r p O que
->v e m:
nos ciclos: extremos

<-insurrecto
Sim, continue
Em busca do tempo perdido
para ser
lido:

Letra por letra:
para não esquecer que
antes de /tudo/
Hoje existiu.